A falta de referências saudáveis levou-a, ainda na adolescência, a um ciclo de abusos físicos e emocionais.

Foi apenas anos depois, encarando-se no espelho do tempo, que ela conseguiu dar nome às feridas que carregava.
Amanda Nery
Amanda nasceu em Brasília, nos anos 90, filha única de um lar onde silenciava-se o afeto, ela cresceu acreditando que o amor era doloroso.
Aos 18 anos, entre o abandono e os olhares de julgamento, Amanda era uma menina carregando outra menina no ventre. Mas o nascimento da primeira filha foi o seu primeiro ato de revolução: amparada pelo alicerce inabalável de sua própria mãe, ela não apenas sobreviveu – ela se reergueu.
Conseguir voltar a estudar e trabalhar foi uma vitória pessoal, testemunhando, não para os outros, mas para si mesma, a força dos sonhos que tinha.
Em 2020, em um relacionamento equilibrado, a maternidade retornou com um novo desafio. O diagnóstico de autismo da segunda filha exigiu que Amanda redescobrisse o que era ser mãe e mulher em meio à dedicação integral que o maternar atípico impõe.
Ela sentiu sua identidade desvanecer até não reconhecer mais a própria essência.
Hoje, em uma família unida pela força de três gerações de mulheres, Amanda inventa um novo destino. Apesar das dificuldades, segue firme em busca de seus sonhos: dar um futuro melhor para si, sua mãe e suas filhas.
Ela não quer apenas sobreviver ao passado, mas criar um espaço onde suas filhas cresçam seguras habitando seus corpos e vozes.
Ao abraçar suas meninas com a herança matriarcal do afeto, Amanda descobriu que é possível inventar o amor — um amor que nunca deixa só.
O NASCIMENTO DE UMA MÃE
CONSTRUIR O AMANHÃ
O despertar veio no reencontro com pequenas coisas: voltar a ouvir as músicas que amava, voltar cuidar do corpo e da saúde, voltar a olhar para si mesma e enfim reconhecer seu próprio valor a despeito do que os outros esperam.












As bonecas surgem como signos dos papéis que nos pressionam a assumir, remetendo a um controle silencioso, mas também como elementos da infância que simbolizam a cura intergeracional.
AMANDA POR WALÉRIA GREGÓRIO
O vermelho dá lugar a uma atmosfera mais leve: o preto e branco, o figurino claro, as expressões faciais mais suaves e as plantas simbolizam a ruptura com o passado e a possibilidade de reinventar o presente.



