Jesus é uma das milhares de heroínas invisíveis cujas mãos forjam diariamente a nossa sociedade.

Nascida em Monte Alegre, no Pará, em 1958, ela traz consigo um saber que atravessa gerações.
Tornou-se costureira aos 12 anos, em uma época em que o ofício era movido pelo ritmo cadenciado de uma máquina de pedal, em uma casa onde ainda não havia energia elétrica.
Jesus Vieira Feitosa
Ainda menina, Jesus viveu seu primeiro grande marco: a confecção de doze saias e blusas para o desfile de 7 de setembro em sua cidade natal. Foi a primeira vez que seu talento se transformou em sustento, revelando a força do trabalho que viria a ser o seu alicerce.
Em setembro de 1998, movida pelo desejo de reunir a família e buscar uma vida melhor, desembarcou na capital federal, para onde sua filha mais velha já havia migrado. Apaixonou-se por Brasília no primeiro instante e decidiu que não voltaria mais.
Aos 67 anos, o tempo tem outro compasso. Hoje, ela desfruta da tranquilidade cercada pela natureza, dedicando-se à família e às plantas que florescem no canto que se esforçou tanto para construir. Sua memória permanece vívida, conectando sua ancestralidade ao futuro das mulheres que nasceram dela.
Jesus reafirma que ser mulher é costurar resistências e afetos no tecido da existência. Ela aprendeu a inventar uma nova vida a cada linha solta, provando que a verdadeira força está na certeza inabalável de que os afetos são o cerne de uma vida que vale a pena viver.
PRIMEIROS PONTOS
LINHAS QUE SUSTENTAM
Para Jesus, a costura sempre foi mais do que um ofício: foi uma ferramenta de emancipação.
Quando a separação colocou o peso do mundo sobre seus ombros, ela encontrou na linha e na agulha a forma de sustentar sua linhagem: cinco filhas, um filho e, hoje, quatorze netos.
O TECIDO DA VIDA
E dando forma a sonhos, dedicou-se especialmente aos figurinos de teatro e dança, vestindo crianças e mulheres para os palcos da escola e da vida. Enquanto cosia para o mundo, Jesus tecia, ponto a ponto, sua própria liberdade.












As poses remetem aos retratos vernaculares de família, posicionando a matriarca como a força criadora e o pilar central de sua linhagem.
JESUS POR WALÉRIA GREGÓRIO
Enquanto o preto e branco confere a solidez de um legado, a ternura do sorriso e a vibração das cores trazem a leveza necessária para contrastar com a dureza de alguns momentos de sua história.
Os elementos da costura — as agulhas, os fios e o tecido — são signos objetivos que narram sua trajetória de vida e trabalho manual.



